01. Resquícios de uma era
Resquícios de uma era anterior sempre vão
existir, assim como permanecerá uma sombra de bem-aventurança disponível para
todas as pessoas. É, mas sabia que a ternura e a beleza existiam. Da terra
agora como estava, não era destino
apreciá-las. Talvez somente e algumas vezes, contentar-se apenas em
acenar de longe enquanto esperava ser recebida no 12º andar. Lá as coisas
aconteciam e a felicidade não era
necessária. Por que lá soava falsa como som de palavras.
02. Quem saberá da verdade
Quem saberá da verdade. E o que será
verdade. Talvez a desprezasse toda vez que percebia que não havia alguma
lágrima e nem havia dores. Principalmente, quem pode me dizer que depois que
Milton perdeu, o som de suas palavras não ecoou no paraíso?
***
03. Todos os dias na mesma
calçada
Quando olho para seus olhos é quase sem
transpirar que o tormento eleva. Poderá de alguma forma ser um anjo culpado por
ter a cara suja? E depois de detectar amiúde deslindando o mistério da criação
dos serafins vai poder saber realmente o que é uma saudade. E que não tem idade
passando todos os anos pela mesma rua, mesma calçada, vendo as mesmas pessoas
embora seja necessário um local mais amplo.
***
04. Há de se ter
habilidade para digerir anuros ápodes
Não tenho muita habilidade para digerir todos os
batráquios, hoje anuros ápodes que
engulo, excetuando-se toda a família das Polypedatidae. Por não poder ou não
poder engolir de tudo e nem tudo, aprendi a ter a calma necessária para cuspir
sem ferir sentimentos. Manter sempre acesa essa chama de sonhos. Matar um
leão por dia deste e do outro lado do espelho. Ah! E principalmente deixar
mente sem tempestades. Eia que nuvens e paixões vão levar à destruição, se
escravo das paixões! Mas hoje não. Hoje, sou livre para cantar.
05. Canto e conto
Canto toda tristeza inspirada na dor de um
estrepe pontiagudo penetrando no calcanhar. Conto e canto sobre isso a
cada um dos passantes. Não se assuntem pois; saibam que estranho principalmente
que tudo o que é estranho para eles também o é para mim.
***
06. Exercitações
consumadas na desopressão
“ Por destino abominável,
instância derradeira das abjetas ações, jamais poderia querer num mundo
imperfeito, desejar apenas as maravilhas. Urge usar da veemência, majorar a
intensidade da rejeição tácita aos empenhados em praticar atos ignóbeis, sem
considerar as estilhas de sofrimentos advindos das exercitações consumadas
desses odientos seres mimados na desopressão.”
07. Jamais se acanhar
“ Há de se manter vivos e no alto, os
vigores, o ardor e a eloquência no apoio ao agir com desembaraço, louvando as
experiências benignas do tirocínio e exaltando todos os estágios das técnicas e
artes. Não se acanhar no vigoroso repúdio a qualquer coação irresistível, à
compulsão desprezível advinda do desagrado frente aos litígios havidos nos
pleitos e nas demandas.”
08. Ao odiar a vida a morte será bem vinda
“Tanta destreza no atrevimento,
afoiteza nas iniciativas das obras destituídas da modéstia e pudicícia, que de
obrigação sempre devem nortear as ações dos que transpiram à temeridade, conspira
contra a impavidez e intrepidez de tantos denodados. Estes, não se submetem às
artes mais obscuras, não se curvam à coerção ilusória e venalmente prazenteira,
implementações nem sempre materiais que jamais devem de ser vistas com bons
olhos. Bem como a audácia e o arrojo nas empreitadas em face dos atentados ao
agir com pejo denodado em prol da virtude, sem considerar razoável saber que
existem os que admitem que, ao odiar a vida, a morte será bem vinda. “
09. A fortaleza voadora e
a temperança kamikaze
Sempre há de se considerar, de alguma
forma, toda a fortaleza e temperança exigida num trabalho simples. Acho mesmo
que há um status de padronização para o voo livre. Quando trancar a verdade, a
mola mestra empurra sem contar o número de vezes, nem considerar o trabalho necessário para contar manualmente
todas as varetas enquanto a noviça luta desesperadamente para se livrar das
tentações contrárias aos votos.
10. Temores em pilhas na mente
“É ignorar a graça divina ao céu, sem
mais nem outra vez sequer poder culpar aquele que, se constrangido excedia os
objetivos, nada poupava acuado em becos de sensações mundanas, compelido a
espargir emoções, vítima de tortura secreta, revelando a acuidade das temerosas
armadilhas à harmonia do universo. Aquele que, a um som falso, conhece um a um
cada fragmento que pode brilhar em toda a natureza, bem como atender sorrindo,
aos executores da morte vaga! E de volta, lançar temores em pilhas na mente já
inquieta e temerosa das armadilhas.”
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